Jogo de veteranos entre o ARA e o F.C. PORTO
“Aspecto particular da programação, que se relaciona
com uma distribuição no tempo, de forma regular, dos
comportamentos tácticos de jogo, individuais e
colectivos, assim como, a subjacente e progressiva
adaptação do jogador e da equipa a nível técnico, físico,
cognitivo e psicológico”.
(MOURINHO, 2001)
A definição acima
dada pelo treinador português José Mourinho sobre o
seu conceito para a periodização contempla o que para
ele são os quatro aspectos fundamentais que o treinamento
deve abranger de uma forma indissociável. Defende que toda
sessão de treino deva ser realizada com bola de forma que o
atleta pense no jogo. Para Carvalhal (2003) a primeira
preocupação nessa periodização é
o jogo, com ênfase em treinos situacionais e em
situações de jogo, com o treino físico (ou da
dominante física) inserido no mesmo.
Essa forma de periodizar é contrária aos modelos
tradicionais, em que as prioridades do treino são outras; em
que os aspectos físicos, técnicos, táticos e
psicológicos possuem sessões particulares de
trabalho, sendo em alguns momentos “integrados” em
treinamentos físico-técnicos ou
técnico-táticos que apesar da presença da bola
não possuem como objetivo central a melhora da qualidade do
jogo.
Considerando como epicentro do jogo o aspecto tático, a
Periodização Tática (PT) citada pelos
treinadores acima tem como referência o Modelo de Jogo
Adotado (MJA) e, com isso, os outros aspectos devem estar presentes
sempre nas sessões de treinos, pois sem eles o jogo em alta
qualidade torna-se fora do alcance. A tática é
pensada como aspecto central da construção do treino,
de forma que as outras capacidades sejam desenvolvidas por
“arrasto”, de forma contextualizada e identificada com
a matriz de jogo proposta.
Para isso nas sessões de treino são desenvolvidos
exercícios que construam e potencializem a forma de jogar
exacerbando algumas situações (princípio
metodológico das propensões) que o treinador eleja
como prioridade naquela sessão.
Dentro da PT não faz sentido um mesociclo apoiado em
microciclos que tenham em sua estrutura perspectivas praticamente
idênticas pautadas ou na variação de volumes de
carga, ou de prioridades físicas, ou nas pendências
fisiológicas. Na perspectiva do MJA, o microciclo segue uma
progressão complexa relacionada ao processo e
compreensão da lógica do jogo e ao modelo de jogo a
se jogar.
A Periodização Tática emerge, na
prática competitiva (principalmente em Portugal nesse
momento), como uma nova proposta de periodização para
os jogos coletivos, respeitando suas características –
e nesse caso aprofundando nas particularidades e complexidades do
futebol. Surge como alternativa para a periodização
tradicional que têm, em grande parte de seus idealizadores,
origem em esportes individuais ou com um curto período
competitivo. Parte do pressuposto de que esportes coletivos, como o
futebol nesse caso, com longos períodos de
competição necessitam de regularidade competitiva,
não tendo nos “picos de forma” esse objetivo
atingido. Os picos do Modelo de Jogo tornam-se as metas a serem
buscadas e que, pelos constantes processos de
construção do mesmo proporciona um desenvolvimento
contínuo.
Para pesquisadores e profissionais da Educação
Física, PT e MJA não são nenhuma novidade,
longe disso. Autores clássicos estudados em boas faculdades
de Educação Física no Brasil propõem
discussões nessa perspectiva há mais de 20 anos. A
novidade talvez seja vê-la realmente na prática
desportiva do futebol de alto nível.
A PT mostra uma preocupação com a qualidade do jogo e
rompe com conceitos cartesianos fincados em nossa sociedade. Seus
conceitos, idéias e perspectivas passaram agora pelos
portões das universidades, rumo a batalha contra os achismos
que ainda imperam no futebol (ou por tradicionalismos ou pela falta
de conhecimento científico).
Que vençam a batalha!
Referências Bibliográficas
Carvalhal, C. (2003), “Periodização táctica. A coerência entre o exercício de treino e o modelo de jogo adotado” Documento de apoio das II Jornadas técnicas de futebol da U.T.A.D
Mourinho, J. (2001), “Programação e periodização do treino em futebol” in palestra realizada na ESEL, no âmbito da disciplina de POAEF.
Leandro Zago - CIEFuT
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